domingo, 29 de junho de 2008

Minha epopéia acidental

Bem amigos da RaiZ PintadA, agora eu estou ainda mais ocioso do que nunca, que o carango está no “estaleiro” e estou limitado ao transporte coletivo por uns tempos...

Mas... Posso postar sem deixar o lar, então, vou relatar, com detalhes, o que me lembro do infortúnio.


Sexta-feira 20/06, pelas dez e pouca da matina, depois de mais uma noite insone – sai preguiça – resolvi levantar e ir ao banco antes de apagar, que os malditos fecham as porta as 3h da tarde e dormir por duas ou três horas definitivamente não estava nos meus planos – demoro pra dormir, mas demoro pra acordar também.

Fomos ao banco e na volta uma breve passada na padaria. Caia uma garoa fina, daquelas chatas, que mal molham, mas incomodam. Alguns pães e um picolé “Laka” depois e de volta ao carro, começa a chover forte, aquelas pancadas rápidas de uns 10 minutos que molham a roupa toda e depois de te encharcar, vão embora te deixando ensopado. Mas o problema é que da padaria até em casa leva uns três minutos . Bom, to dentro do carro, liguei e sai normal, vou chegar casa, comer algo e deitar pra ver se o sono vem dessa vez.

Entrei na RS-118, um toró e visibilidade péssima, segui tranqüilo, conheço o caminho a mais de cinco anos, quem iria se preocupar, ainda mais de dia, não é? E reta, curva a esquerda, depois a direita, mais reta, carro e ônibus (ou caminhão) uns 150 metros a frente, uns 60km/h, dentro do limite, portanto, e vá chuva...

- A RS-118 faz uma curva bem leve a direita (sentido Viamão – Gravataí) e o acesso a rótula requer que se entre no espaço central entre as pistas e se faça uma curva a esquerda. Esse ponto, quero ressaltar, acho muito mal sinalizado, pois existem apenas tachões reflexivos na pista, coisa que alem de não demarcar um “percurso” bem definido, ainda forma umxisque cruza o caminho de quem entra e quem deixa o RS-118, no sentido em que eu transitava. Vale ressaltar que o indicado seria um canteiro com uma rotatória, como a que há no acesso principal ao centro da cidade. (o mesmo problema ocorre no entroncamento da RS-040 com a RS-118, quem viaja para praia por ali sabe bem o inferno que é nos fins de semana de veraneio).

Voltando ao caso, o fato é que não é incomum se passar por cima dos tachões, e o natural é o motorista dar uma guinada pra se livrar do incomodo. Pois foi o que eu fiz, tirei o carro de cima dessa praga, mas ocorre que eu estava olhando bem adiante, cuidando pra ver se não vinha nenhum veiculo no sentido contrário. Realmente não vinha, mas eu não estava na pista central, vinha na verdade na minha pista da esquerda, contra-mão praticamente, e isso não notei de pronto, mas apenas quando passei em cima dos tachões. Quando vi estava indo em direção ao meio fio, foi então que eu puxei o volante pra direita, sai do cordão, mas tinha que entrar a esquerda e voltei-o a essa direção.

Mas quem disse que um carrodistracionado”* (emmarcha a menos de 60km/h) e com pista molhada se comporta como deveria? Fomos ao canteiro, e pra piorar, (acho que) uma raiz (nada haver com o blog, foi uma triste coincidência) saliente alavancou a dianteira, a caranga beijou a arvore e atravessou na pista. PLOFT, air bags em ação e eu vi um monte de fumaça se espalhando pelo pára-brisa, ai bateu o pânico, pensei que tinha pegado fogo na joça, mas era apenas gás com um branco saindo da bolsa salvadora. Minha tia apavorada, meio atordoada da pancada forte e da fumaça, com dor no tórax, tratei de me acalmar, bati o braço, meio de raspão (antiinflamatórios e relaxantes musculares resolveram), e logo em seguida chegou ajuda.

Um caminhão do Exercito passava pelo local e parou pra socorrer, tendo um soldado chamado o SAMU e a Polícia Rodoviária Estadual e tratado de tranqüilizar-nos. Uma moça também parou e logo depois fez o favor de avisar minha esposa, que chegou ao local do acidente uns 10 minutos depois. Inicialmente fui informado que a BM não dispunha de viaturas e após alguns minutos meiodesligadosem saber bem o que fazer, liguei pro guincho do seguro. A equipe do SAMU chegou e a porcaria da chuva amainou, voltando a garoar. Eles prestaram os primeiros socorros à minha tia e quando estavam pondo-a na ambulância para examiná-la melhor a PRE chegou, mandou cancelar o guincho do seguro e chamou o do Detran. Minha tia, acompanhada da minha esposa, foi ao hospital fazer os exames de rotina e os policias tomaram as medidas de praxe. Nessa hora voltou a chover forte, para eu não dizer que o céu estava contra mim justamente naquele momento de infortúnio, se bem que eu não deixei de reclamar, claro...

Seguindo, chega o reboque, vai a perua rampa acima e o GORDON aqui quase não consegue subir na boleia do caminhão, uma F-4000 acho. Puxar 110 kg não é mole não, ta pensando o que? E fomos a delegacia registrar a ocorrência, lesão corporal culposa segundo o B.O., mas minha tia não se machucou (ficou apenas o susto e o impacto do air bag) e não quis representar contra mim em juízo. – Fica a comprovação da importância do equipamento, que sempre vou defender, e que espero torne-se obrigatório pela legislação – alias, espero jamais deixar de tê-lo.

Feito o registro policial, veio a pior parte: caminhar da delegacia até o hospital. Como mencionei, 110kg em aclive é dose, e a distância nem é tão grande, uns 1.200 metros segundo o Google Earth (400m de subida, aprox.), mas pra quem faz ‘exercícioscomo ir até a cozinha, ou subir 12 degraus de vez em quando, foi umIron manpessoal de 20 interminááááááááveis minutos, com direito a umas 10 ‘paradinhas técnicaspra recuperar o fôlego e ‘relembrar a estratégia’ (infelizmente não pude mudá-la) de subir aquela alameda íngreme e cansativa. Não sei se foi conseqüência da batida ou mera fadiga, mas o fato é que a dor nas costas era tamanha que eu acabei consultando e tomando 75mg de Voltarem intramuscular (no traseiro!), que por sinal, surtiram efeito.

Terminando, minha esposa e eu comemos um lanche enquanto não liberavam minha tia, que a essa hora estava soltando fogo de raiva daquela vagareza e burocracia, considerando que ela sabia que estava bem. Finalmente, passadas mais de quatro horas e sem nenhum ferimento, ela recebe alta e rumamos para casa. Em tempo, acabei indo dormir horas depois apenas, mas com uma certeza:

Não deveria ter levantado da cama nem pra ir ao banheiro nessa sexta-feiraaloprada!

* “Distracionado” é um termo apropriado, misto de distração (minha) com sem tração (do carro), kkkkkkk!

P.s.: Alguém teria tirado fotos do acidente para o jornal local, mas não sou assinante e não tenho confirmação dessa informação, se conseguir alguma matéria, posto aqui.

Um comentário:

Unknown disse...

Isso meu amigo, vencer um obstaculo a cd dia e qdo perceber já superou quase tudo...
Estou feliz pela sua vitória pessoal...
Bjão